Uma função contínua não é necessariamente uma aplicação aberta

Uma função contínua \( f : X \to Y \) não transforma, em geral, os conjuntos abertos de \( X \) em conjuntos abertos de \( Y \).

Na topologia, a continuidade não garante que os abertos sejam preservados pela função. Essa característica é própria das chamadas aplicações abertas.

Por isso, é importante ter claro desde o início: uma função contínua não é, em geral, uma aplicação aberta.

O que é uma aplicação aberta? Uma aplicação aberta \( f : X \to Y \) é uma função que envia todo conjunto aberto de \( X \) para um conjunto aberto de \( Y \).

Em outras palavras, o simples fato de uma função ser contínua não assegura que a imagem de um aberto do domínio continue sendo um aberto no contradomínio.

Um exemplo concreto

Considere a função \( f(x) = x^2 \), que é contínua em todo \( \mathbb{R} \).

Tomemos o conjunto aberto \( (-2, 2) \subset \mathbb{R} \), formado por todos os números reais estritamente entre \( -2 \) e \( 2 \).

Apliquemos a função \( f = x^2 \) a esse conjunto.

$$ f(-2) = (-2)^2 = 4 \\ f(0) = 0^2 = 0 \\ f(2) = 2^2 = 4 $$

A imagem de \( (-2, 2) \) pela função \( f(x) = x^2 \) é o intervalo \( [0, 4) \), que não é um conjunto aberto de \( \mathbb{R} \).

De fato, embora o ponto \( 0 \) pertença à imagem, não existe nenhuma vizinhança de \( 0 \) inteiramente contida em \( [0, 4) \), pois \( 0 \) é um extremo fechado do intervalo.

Esse exemplo evidencia que, mesmo sendo contínua, a função \( f(x) = x^2 \) não preserva necessariamente a abertura dos conjuntos, contrariando uma expectativa intuitiva bastante comum.

Assim, apesar de ser contínua em todo \( \mathbb{R} \), a função \( f(x) = x^2 \) não é uma aplicação aberta.

Diferença entre funções contínuas e aplicações abertas

As noções de continuidade e de abertura diferem essencialmente na forma como tratam os conjuntos abertos.

  • Função contínua (no sentido topológico)
    Uma função \( f : X \to Y \) é contínua se a pré-imagem de todo conjunto aberto de \( Y \) é um conjunto aberto em \( X \). Em outras palavras, para cada aberto \( U \subset Y \), o conjunto \( f^{-1}(U) \) deve ser um aberto de \( X \).

    A continuidade descreve o comportamento da função ao "puxar de volta" abertos do contradomínio para o domínio. Ela se refere exclusivamente às pré-imagens de conjuntos abertos, sem impor qualquer condição sobre as imagens diretas.

  • Aplicações abertas (funções abertas)
    Uma função \( f : X \to Y \) é dita aberta se envia cada conjunto aberto de \( X \) para um conjunto aberto de \( Y \). Isto é, para todo aberto \( V \subset X \), a imagem \( f(V) \) deve ser um aberto de \( Y \).

    A abertura, por sua vez, foca no comportamento direto dos abertos do domínio, exigindo que a sua imagem seja também um aberto no contradomínio. Ela não estabelece nenhuma condição sobre as pré-imagens.

Em resumo, a continuidade trata da passagem dos abertos do contradomínio para o domínio, enquanto a abertura diz respeito à projeção direta dos abertos do domínio para o contradomínio. São propriedades distintas, que atuam em direções opostas e desempenham papéis diferentes na topologia.

E assim por diante.

 


 

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